8. ECONOMIA E NEGCIOS 5.12.12

1. PR-SAL EM DEBATE
2. VIAJE SEM SUSTOS

1. PR-SAL EM DEBATE
Seis grandes Especialistas reunidos pela dinheiro discutem o cenrio atual e o futuro da explorao do petrleo na camada Pr-sal

O futuro do ouro negro
 
O Brasil descobriu, em 2006, uma gigantesca jazida de petrleo, capaz de coloc-lo entre os grandes produtores. Em 2013, ter de pr em prtica o aprendizado dos ltimos anos para extrair a riqueza escondida no subsolo martimo

Desde que a Petrobras fez as primeiras descobertas de petrleo na camada do pr-sal, em 2006, o Brasil vem trabalhando para consolidar uma cadeia de fornecedores que garanta a extrao do ouro negro que repousa no subsolo do oceano brasileiro. Com reservas estimadas de at 100 bilhes de barris, a Petrobras, que vai investir quase US$ 70 bilhes at 2016 na cadeia do pr-sal, deve multiplicar por dez sua capacidade de produo em guas ultraprofundas, alcanando a marca de dois milhes de barris dirios em 2020. Para atingir essa meta,  preciso vencer enormes desafios, como a licitao de novos poos de petrleo, a partir do ano que vem, ganhos de eficincia para a cadeia de contedo local e velocidade para a tomada de decises que envolvem a Petrobras.
 
Para contribuir com a discusso sobre o presente e o futuro do pr-sal, a editora Trs e a revista DINHEIRO promoveram, na segunda-feira 26, o seminrio O Poder da Energia  Novas Oportunidades de Investimento, que reuniu seis especialistas no assunto. O evento teve o patrocnio da Petrobras. Nosso grande desafio  a gesto desta cadeia, disse o presidente da Transpetro, Sergio Machado, que participou do painel Pr-sal, um mar de oportunidades. Precisamos nos unir para no perder o bonde.
 
Inteligncia, foco e muita vontade poltica so necessrios para garantir que o Pas se aproprie de sua riqueza, como lembrou o diretor de Infraestrutura da Federao das Indstrias do Estado de So Paulo (Fiesp), Carlos Cavalcanti, que dividiu o palco com Machado e Paulo Sergio Franzosi, coordenador da cadeia de leo e gs do Sebrae-SP. Cavalcanti instigou o debate sobre as oportunidades de desenvolvimento para a indstria, trazidas com o pr-sal. So Paulo, segundo o diretor da Fiesp, j conseguiu capitalizar o ciclo de riqueza do petrleo brasileiro. Somos o maior fornecedor da Petrobras, disse. Franzosi, do Sebrae, por sua vez, lembrou que as oportunidades de negcio com o petrleo no se resumem s companhias de grande porte. Micro e pequenas empresas tm grandes chances de crescer junto com a Petrobras, disse o coordenador do Sebrae.
 

1 PAINEL:
 Da esq. para a dir.: Cavalcanti, da FIESP; Machado, da Transpetro; e Franzosi, do Sebrae-SP
 
A consolidao desse mercado depende de inmeras variveis, como a ampliao das concesses para explorao de petrleo. Com apenas 4,5% dos poos licitados, o Brasil precisa concentrar esforos para empurrar o processo de licitaes adiante e garantir as condies para que a Petrobras assegure recursos que permitam a sua expanso. A riqueza  voltil, disse Auro Rozenbaum, analista-snior de petrleo da Bradesco Corretora, que abriu o segundo painel do encontro, intitulado Futuro: o pas que o pr-sal vai construir. Rozenbaum lembrou que a Petrobras tem uma tarefa herclea para explorar todo o seu potencial.
 
O coordenador de energia trmica da Associao Brasileira de Grandes Consumidores de Energia (Abrace), Ricardo Pinto, lembrou ainda do enorme potencial de riqueza de um subproduto do pr-sal, o gs natural, insumo de grande utilizao pelo setor industrial, mas com preos acima da mdia mundial.  preciso aperfeioar as regras do setor para reduzir os preos e torn-lo um fator de competitividade da indstria brasileira, disse Pinto.
 
O ex-prefeito de So Vicente, deputado federal Mrcio Frana (PSB-SP), lembrou, por sua vez, da necessidade de ampliar a infraestrutura da Baixada Santista, uma das maiores beneficiadas do petrleo que ser extrado da Bacia de Santos. Hoje j temos projetos de aeroporto em Itanham, tnel para unir Guaruj a Santos, entre outras grandes obras, afirmou. O seminrio  o segundo da srie de Debates Dinheiro, que pretende discutir os principais temas da economia brasileira. Confira, nas prximas pginas, os principais destaques do encontro.
 

2 PAINEL:
 da esq. para a dir.: Frana, deputado federal; Pinto, da Abrace; e Rozenbaum, da Bradesco corretora
 
A retomada da indstria naval

Na dcada de 1970, o Brasil era o segundo maior fabricante de navios do mundo. O Pas competia em igualdade de condies com o Japo. Nas dcadas seguintes, uma combinao de escndalos envolvendo as empresas do setor com a quebra da economia brasileira levou  falncia a maior parte dos estaleiros nacionais. Aps ser abandonado durante vrios anos, o setor foi ressuscitado no governo Lula, com a descoberta do pr-sal, disse Sergio Machado, presidente da Transpetro, em palestra intitulada O combustvel para o ressurgimento da indstria naval. Para atrair investimentos, segundo Machado,  preciso uma garantia de demanda, o que j est acontecendo. O Brasil tem a quarta carteira de navios do mundo, disse o executivo. O desafio  mudar a matriz de transporte do Brasil, que  baseada em rodovias.
 
O pr-sal, extrado a 300 quilmetros da costa brasileira, precisa ser transportado para virar riqueza, lembrou Machado. A Transpetro, brao logstico da Petrobras, anunciou encomendas de 49 navios at 2020, num valor total de R$ 11,2 bilhes. At agora, sete embarcaes j foram lanadas  a ltima delas, batizada de Anita Garibaldi, na tera-feira 27, em Niteri (RJ). Para cada R$ 1 milho investido no setor, so gerados 82 empregos, R$ 1,9 milho de renda e R$ 565 mil em impostos, afirmou Machado. O setor emprega atualmente 60 mil pessoas.
 
O presidente da Transpetro defendeu, ainda, que sejam feitas parcerias no Exterior. Temos de aproveitar a crise europeia para trazer tecnologia e pessoas, afirmou. Para cada profissional que vier de fora, teremos um brasileiro trabalhando junto para aprender. 
O executivo disse que  necessrio explorar o pr-sal com responsabilidade social e ambiental, mas sem demora. Temos de garantir formas de fazer isso rapidamente, afirmou. O mundo no vai esperar o Brasil.  preciso mudar da postura de arquelogo para a de visionrio, defendeu ele.

O diretor do departamento de infraestrutura da Federao das Indstrias de So Paulo (Fiesp), Carlos Cavalcanti, fez um alerta logo na abertura do painel Pr-sal  um mar de oportunidades.  parcialmente verdade que o petrleo ter grande valor por muito tempo, afirmou. Temos de transformar o leo negro em renda para a sociedade o mais rpido possvel. Cavalcanti salientou que a criao de fontes alternativas de energia no mundo torna ainda mais urgente a explorao do pr-sal.Silenciosamente, os EUA, que eram tidos como grande cliente potencial do nosso pr-sal, desenvolveram uma tcnica de explorao de gs natural no convencional, o shale gas. 
 
Segundo Cavalcanti,  consenso entre os especialistas que a extrao de petrleo da camada pr-sal abre um mar de oportunidades para o setor industrial, que est preparado para aproveit-las. A indstria de base paulista j  a maior fornecedora da Petrobras e das empresas contratadas por ela, disse Cavalcanti, que comparou o atual desenvolvimento da indstria de petrleo com o ocorrido no setor automotivo em 1960, com a chegada da montadora Volkswagen ao Pas.
 
O diretor da Fiesp observou, ainda, que o governo de So Paulo no tem um plano concreto para a indstria de petrleo. Nada aconteceu para o desenvolvimento do porto de So Sebastio nem em termos de infraestrutura na Baixada Santista, disse. A expanso do porto, no litoral norte paulista, seria uma alternativa ao congestionado porto de Santos, no litoral sul. De acordo com Cavalcanti, existe um comit formado por secretrios estaduais que no tem interlocuo com a sociedade. H um impasse entre uma ala que quer investir no pr-sal e outra que deseja reduzir emisses de gases, disse o executivo.
 
O quinho das pequenas no pr-sal

Basta observar o xito das rodadas de negcios promovidas pelo Sebrae-SP nos ltimos anos para constatar que as micro, pequenas e mdias empresas (PMEs) tm uma enorme oportunidade de desfrutar a riqueza do pr-sal, tornando-se fornecedoras dessa cadeia. O primeiro encontro, realizado em 2006, gerou R$ 9 milhes em potenciais contratos. Na ltima edio, neste ano, a cifra foi dez vezes maior. A pesquisa mostra que 65% das empresas perceberam que fornecer para a Petrobras significa tornar-se referncia no mercado, disse Paulo Sergio Franzosi, coordenador da cadeia de leo e gs do Sebrae-SP, que proferiu a palestra Hora de pensar grande. Como as pequenas empresas podem surfar a grande onda do pr-sal .
 
Uma pesquisa feita pelo rgo mostra que 85% das PMEs demonstram interesse nesse mercado, mas 53% alegam no ter estrutura para atender a Petrobras. O mais difcil  convencer o dono do pequeno negcio a adaptar-se s regras das grandes petroleiras, afirmou Franzosi. H oportunidades em vrias reas, desde o fornecimento de brindes e refeies prontas at a fabricao de peas industriais. Na lista de potenciais fornecedores, 55% so do setor de servios e 43% do comrcio. Em mdia, essas empresas possuem apenas 11 funcionrios.
 
Entre as principais dificuldades que as micro, pequenas e mdias empresas enfrentam, segundo o Sebrae-SP, esto a falta de mo de obra qualificada, a escassez de capital de giro, o reduzido nmero de clientes disponveis e a deteriorao do mercado pelos concorrentes. Para superar os obstculos, os pequenos empresrios precisam sair da inrcia e efetivamente procurar as informaes sobre como se tornar um fornecedor da cadeia de petrleo e gs, diz Franzosi. Uma dica bsica  iniciar o processo de obteno da nota fiscal eletrnica, sem a qual no se podem emitir faturas para os agentes do setor petrolfero.
 
Corrida contra o tempo

A Petrobras foi responsvel por um tero das descobertas mundiais de petrleo, na ltima dcada. At 2020, a produo da estatal deve crescer dos atuais dois milhes de barris por dia para mais de cinco milhes. As aes da empresa na bolsa, que hoje esto cotadas na faixa dos R$ 20, podem dobrar de preo nos prximos dois anos. Tudo isso graas ao pr-sal. Apesar das boas perspectivas, a petrolfera ter de superar alguns desafios para no morrer na praia diante de todo esse potencial, alertou Auro Rozenbaum, analista-snior de petrleo da Bradesco Corretora, durante o painel Futuro: o pas que o pr-sal vai construir. Segundo ele, o mundo est mudando e o avano da tecnologia e o descobrimento de novas fontes de energia podem mudar o cenrio de competio no setor de petrleo. A riqueza  voltil, afirma Rozenbaum. Podemos acabar com um monte de petrleo na mo, sem valor.
 
O fato de os Estados Unidos estarem caminhando para a autossuficincia energtica, graas  descoberta de novas tcnicas de extrao de gs natural no convencional,  um sinal de que  preciso acelerar os trabalhos nos poos do pr-sal. Para isso  necessrio resolver dois pontos cruciais nas finanas da companhia. O primeiro  a poltica de preos da gasolina, que no segue as cotaes internacionais para no pressionar a inflao. Somente neste ano, o custo financeiro dessa poltica para a estatal foi de R$ 8 bilhes at setembro. Como faltam investimentos no setor sucroalcooleiro, o etanol tem baixa produo no Pas, o que reduz a oferta de combustvel alternativo e limita a capacidade de repasse de custos  gasolina pela estatal. Por causa do pr-sal, desistimos do etanol?, questiona o analista.
 
O segundo ponto importante so os investimentos da companhia na infraestrutura necessria para a explorao do pr-sal. Nas contas de Rozenbaum, a Petrobras possui US$ 130 bilhes em ativos que ainda no geram lucro. Com os equipamentos em funcionamento, o valor da ao pode chegar a um patamar de R$ 40, estimou Rozenbaum.

O petrleo do pr-sal deve levar o Brasil a um novo patamar de crescimento econmico. Ao mesmo tempo, uma enorme riqueza pode estar se perdendo, literalmente, pelos ares. Trata-se do gs natural, um subproduto da extrao do leo, que responde por quase 25% da matriz energtica mundial. Segundo o coordenador de energia trmica da Associao Brasileira de Grandes Consumidores de Energia (Abrace), Ricardo Pinto, se bem exploradas, as reservas brasileiras podem transformar o Pas em um dos maiores produtores mundiais do combustvel. Precisamos encontrar a nossa vocao para o gs, afirmou Pinto, durante o painel Pr-sal, realidade e futuro da energia brasileira. A complexidade da extrao do produto, considerado o patinho feio da indstria de energia, no entanto, o coloca no final da lista de prioridades das empresas que atuam no setor.
 
Apesar de existirem no Pas 38 bacias com potencial para a extrao do insumo, apenas 5% delas esto sendo exploradas. Esse quadro obriga o Pas a importar 49% do gs utilizado pelas empresas e termeltricas nacionais. Se bem exploradas, essas reservas poderiam triplicar a oferta de gs no mercado brasileiro.
 
O que falta, afirma Pinto,  um projeto que garanta o aproveitamento dessa capacidade, e uma poltica que ajude a baratear o custo do gs. Desde que desenvolveram uma nova tcnica para extrao de gs no convencional, o chamado gs de xisto, os Estados Unidos, por exemplo, esto aumentando a participao do combustvel em sua matriz energtica. Atualmente, o gs de xisto responde por 16% do total, ante apenas 1% em 2000. A expectativa  de que o pas se torne autossuficiente em gs natural at 2035. Outros pases esto avanando, diz Pinto. Cabe a ns decidir o que fazer 
com todo esse gs.
 
A nova capital do petrleo

Nenhuma outra regio ser to afetada pelo pr-sal quanto a Baixada Santista, no litoral sul de So Paulo, avalia o deputado federal pelo PSB e ex-prefeito de So Vicente Mrcio Frana. Escolhidas pela Petrobras como as bases para a explorao dos mais de dez campos petrolferos da Bacia de Santos, as cidades de Santos e So Vicente j esto sentindo os efeitos da presena da empresa, especialmente no que se refere  especulao imobiliria. O preo dos imveis subiu quase quatro vezes nos ltimos cinco anos, afirma Frana. Alm disso, diversos investimentos esto transformando a regio. Algumas cidades devem ver sua populao se multiplicar quando a produo de petrleo realmente comear. Praia Grande, por exemplo, tradicional reduto de veraneio da classe mdia emergente de So Paulo, deve passar de 200 mil para mais de um milho de habitantes, segundo o deputado.
 
Entre os investimentos previstos para melhorar a infraestrutura da regio, Frana destaca a construo de um tnel ligando Santos ao Guaruj, percurso que atualmente  feito por meio de balsa. Outra obra importante  a duplicao da rodovia dos Tamoios, que liga a cidade de So Jos dos Campos, no interior do Estado, a Caraguatatuba, no litoral norte. Ampliada, a estrada serviria para escoar as cargas que chegam ao porto de So Sebastio. Com guas mais profundas que o porto de Santos, o terminal de So Sebastio poderia ser uma alternativa para navios maiores, que hoje no podem atracar no maior porto da Amrica Latina.
 
O ex-prefeito prev ainda um aumento dos problemas sociais na regio. Essa  a principal bandeira levantada pelos opositores da lei que altera a distribuio dos royalties do petrleo. Aprovada pelo Congresso, ela aumenta o repasse para as cidades no produtoras. Isso no  justo com as localidades que sofrero o maior impacto, afirma Frana.


2. VIAJE SEM SUSTOS
Apesar das facilidades, cresce o nmero de consumidores insatisfeitos com as agncias de viagem online. Saiba o que fazer para evitar prejuzos
 por Fabola Perez

As agncias de viagens online chegaram para fazer o consumidor economizar tempo e dinheiro. O crescimento desenfreado do servio, porm, trouxe problemas. Em 2012, o Procon de So Paulo registrou 2.086 reclamaes. Em 2011, foram 1.628. Existe uma disparidade entre o que foi prometido e o que foi prestado, diz Paulo Arthur Lencioni Ges, diretor-executivo do rgo em So Paulo. Para o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, os usurios sofrem quando precisam fazer o cancelamento da compra ou alterar o voo. Isso onera o comprador excessivamente e d vantagens exageradas  empresa, diz Flvio Siqueira, advogado do Idec.

